Associação dos Médicos Residentes da Escola Paulista de Medicina (AMEREPAM)
Diretoria da Escola Paulista de Medicina (EPM)
Diretoria do Hospital São Paulo (HSP)
Diretoria do Campus São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Reitoria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Câmara Técnica do Médico Jovem do Conselho Regional de Medicina (CREMESP)
Manifestamos nosso total apoio aos colegas e médicos residentes da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) na iminência de paralização e início de processo de greve em decorrência da atual realidade deficiente na organização do ensino e assistência, conforme carta-deliberação enviada. A situação apresentada é consoante com o retrato da realidade de todo país a partir do decisão do Governo Federal em contingenciar, por meio do decreto no 8456, de 22 de maio de 2015, em R$11,774 bilhões o orçamento para o Ministério da Saúde. O corte supra citado vem a retroceder as conquistas para o Sistema Único de Saúde (SUS) em 27 anos de sua existência e prejudicar o seu para o seu papel formador de recursos humanos em saúde, interferindo diretamente na qualidade da formação e residência médica.
Reconhecemos com louvor a atitude dos colegas residentes da EPM-UNIFESP no sentido de reivindicar melhores condições de ensino, sem nunca esquecer de nosso objetivo primeiro: a assistência ao paciente. Também frisamos como louvável o processo ético desencadeado por esses protagonistas que determinaram o processo de negociação e diálogo com as instâncias diretivas da instituição como marco para a lisura do processo, sem deixar também, e principalmente, de estar atento às questões apontadas pelo conselho gestor da região e à população atendida, a qual sofre com a falta de materiais, corte na escala de cirurgias eletivas, ausência de recursos humanos em número suficiente, dentre outros.
Lembramos que o médico residente é um profissional em formação e, portanto, requer estrutura mais próxima do ideal para que, dentro da complexidade da visão humanista a que sempre se propôs a EPM-UNIFESP nos seus mais de 80 anos de existência, possa receber os ensinamentos necessários à atuação nas mais diversas esferas e níveis de atenção de nosso SUS, sem nunca deixar de pensar no cumprimento da Constituição Federal e oferecer saúde a todo cidadão, ainda que para isso seja necessário paralisar os atendimentos de maneira a buscar as devidas providências para uma questão não mais passível de espera ou de remendos frente à premência de solução definitiva a todos os doentes que os procuram buscando um atendimento equânime e de qualidade.
Seja no próprio Hospital São Paulo, referência para toda metrópole onde está inserido, seja para os ambulatórios do complexo do Campus São Paulo da UNIFESP, seja para os estabelecimentos de saúde na atenção primária, dispostos por toda cidade, fica claro o prejuízo no ensino e assistência frente à realidade temerária apresentada atualmente, realidade esta que nos coloca de maneira consensual e imperativa lado a lado na luta por melhorias imediatas e efetivas à situação.
Entendemos, por fim, que a reordenação de gastos nas esferas diretivas e gestoras locais deve priorizar o correto atendimento aos usuários e ensino aos médicos-residentes sendo necessário que haja um posicionamento urgente frente à falta de estrutura física e suprimentos (medicação, materiais), diminuição do contingente de servidores e inadequação do funcionamento de vários setores, principalmente o pronto-socorro, segundo apurado junto aos médicos residentes do Hospital São Paulo, bem como dos demais estabelecimento a ele ligados, valorizando o papel fundamental do médico-residente e de seus preceptores.
Acreditamos que somente com assistência e ensino de qualidade podemos construir o SUS que almejamos para nossos familiares e usuários de todo Brasil e nos colocamos desde já como contribuintes do processo de reestruturação da EPM-UNIFESP, os representando nas instâncias executivas da Comissão Estadual de Residência Médica e da Comissão Nacional de Residência Médica.
São Paulo, 18 de Junho de 2015.
ARTHUR HIRSCHFELD DANILA
Presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR)
DIEGO GARCIA
Presidente da Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo (AMERESP)
JOSÉ CARLOS ARROJO JÚNIOR
Diretor da Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo (AMERESP)
e residente de Medicina de Família e Comunidade da EPM-UNIFESP