CARTA DE APOIO DA ANMR À PARALISAÇÃO DOS MÉDICOS RESIDENTES DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
São Paulo, 13 de Julho de 2015.
Aos residentes do Hospital das Clínicas da UFPE,
Manifestamos nosso incondicional apoio aos colegas e médicos residentes do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco quanto à deliberação por paralização em decorrência da realidade deficiente na organização do ensino e assistência, e considerando o interesse da beneficência dos pacientes do serviço conforme carta-deliberação enviada à entidade.
A situação apresentada é consoante com o retrato da realidade de todo país a partir do decisão do Governo Federal em contingenciar, por meio do decreto no 8456, de 22 de maio de 2015, em R$11,774 bilhões o orçamento para o Ministério da Saúde. O corte supracitado retrocede conquistas do Sistema Único de Saúde (SUS) em 27 anos de sua existência e prejudica o seu papel formador de recursos humanos em saúde, interferindo diretamente na qualidade da formação e residência médica.
O desabastecimento de medicações essenciais às profilaxias e tratamento dos pacientes, a insuficiência de exames laboratoriais – não contemplando exames básicos complementares de forma contínua, a carência ou ausência de equipamentos necessários para a boa prática médica e as más condições para atuação da equipe multiprofissional, dificultam gravemente o diagnóstico e a avaliação rotineira dos pacientes, com risco de uma evolução insatisfatória ou até o óbito. Esse cenário é incompatível com um cenário de prática para o ensino médico no âmbito da residência, e muito mais inaceitável para a população, que permanece vulnerável pela falta de estrutura e investimento na saúde.
Lembramos que o médico residente é um profissional em formação e, portanto, requer estrutura mais próxima do ideal para que, dentro da complexidade da visão humanista, possa receber os ensinamentos necessários à atuação nas mais diversas esferas e níveis de atenção de nosso SUS, sem nunca deixar de pensar no cumprimento da Constituição Federal e oferecer saúde a todo cidadão, ainda que para isso seja necessário paralisar os atendimentos de maneira a buscar as devidas providências para uma questão não mais passível de espera ou de remendos frente à premência de solução definitiva a todos os doentes que os procuram buscando um atendimento equânime e de qualidade.
Entendemos, por fim, que a reordenação de gastos nas esferas diretivas e gestoras locais deve priorizar o correto atendimento aos usuários e ensino aos médicos residentes sendo necessário que haja um posicionamento urgente frente à falta de estrutura física e suprimentos valorizando o papel fundamental do médico-residente e de seus preceptores.
Acreditamos que somente com assistência e ensino de qualidade podemos construir o SUS que almejamos para nossos familiares e usuários de todo Brasil. Pata tanto, nos colocamos desde já como contribuintes do processo de reestruturação do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Pernambuco, os representando nas instâncias executivas da Comissão Estadual de Residência Médica e da Comissão Nacional de Residência Médica.
Arthur H. Danila
Presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR)